Não importa quando você começou sua vida profissional, se há 10 anos ou há 10 meses: o mundo do trabalho não é mais o mesmo! Mudanças tecnológicas, sociais e econômicas nos atingem constantemente na escala de um mundo globalizado. Ações de indivíduos ou decisões nacionais têm repercussões mundiais e locais, disseminadas através de uma rede de comunicação apoiada pelos recursos cada vez mais acessíveis de conexão 24 horas por dia, 7 dias por semana. Se há 10 anos poucas pessoas tinham um telefone celular pessoal, hoje produtores de grãos já podem autorizar a fixação de seus produtos através do celular. Esse é apenas um de inúmeros exemplos da necessidade de mudança batendo à porta das organizações. Velocidade, interatividade e mudança definem cada vez mais as relações institucionais e interpessoais contemporâneas.

Como estar à altura desse dinamismo? Como adequar a velocidade de resposta dos processos organizacionais às demandas do mercado? Como abrir mão do conhecimento que foi útil no passado, mas que deve ser revisto para possibilitar essa resposta? Como aprender novas formas de trabalhar e gerar resultados mais eficazes?

Essas são perguntas fundamentais, cujas respostas necessitam ser encontradas e aplicadas para tornar as organizações competitivas, ou preservar sua competitividade. Esse é o papel da Educação Corporativa: desenvolver competências de aprendizagem organizacionais e pessoais (profissionais) essenciais para a competitividade dos negócios. Mas quais seriam tais competências?

As competências organizacionais de aprendizagem podem ser agrupadas em 3 dimensões: aquelas competências relacionadas à cultura organizacional, outras relacionadas aos processos internos e ainda aquelas ligadas aos indicadores estratégicos. A cultura organizacional necessita ser tolerante à curva de aprendizagem, lidando de maneira positiva com o processo de tentativa e erro, possibilitando atitudes de inovação, participação e proatividade livres do temor da perseguição a “culpados”. Os processos internos necessitam favorecer a transposição do conhecimento tácito em explícito e otimizar a disseminação do conhecimento na organização. Os indicadores estratégicos de aprendizagem necessitam verificar o impacto da mudança de comportamento das pessoas no trabalho e o retorno da aplicação diária do que foi aprendido nos indicadores do negócio.

As competências pessoais (profissionais) de aprendizagem também comportam 3 dimensões de análise: o autoconhecimento, a aprendizagem interpessoal e a abertura para o ambiente. Individualmente é fundamental a disposição para o autoconhecimento, necessário para a identificação das limitações e potencialidades pessoais, e busca das auto-superações dos limites e da prática das potencialidades que favorecem o processo pessoal de aprendizagem. Na relação com os demais torna-se importante a capacidade de aprender com o outro, através da escuta ativa e validação da experiência alheia como fonte de conhecimento, reconhecendo o valor do grupo na sinergia para a aprendizagem. Além dessas duas variáveis, é essencial a curiosidade, abertura e proatividade para tirar partido de todo tipo de oportunidade de aprendizagem provinda do ambiente, seja esse o mercado, as inovações tecnológicas, as condições geográficas ou climáticas, dentre outros.

A articulação das competências pessoais e organizacionais de aprendizagem visando a competitividade da organização, em alinhamento com sua estratégia, é o papel fundamental da Educação Corporativa. Esta necessita, portanto, de conhecimento profundo da organização e do ambiente de negócios no qual se insere para ser provedora de soluções adequadas para as demandas organizacionais de aprendizagem. Seus esforços são transversais na organização, e sua vocação é para a educação voltada à competitividade.

O papel da Educação Corporativa é exercido por uma área da organização, porém a ação de aprendizagem é fundamentalmente exercida por pessoas, e responsabilidade antes de tudo individual. O processo de educação pode ser institucional, a aprendizagem, no entanto, é individual e transcende a organização. Como disse Piaget “a vida é um constante ato de aprendizagem”.